02 dezembro, 2016

[ IMPRESSÕES de LEITURAS] Realidade e Fantasia

O livro “A história sem fim” brinca com a ideia de haver um mundo real e um de fantasia. Brinca com esse pensamento de que existe uma realidade de fato real, em oposição ao universo da ficção.
Foto Autoral - Instagram @blogparenteses

A questão é que na literatura esses dois pólos estão sempre atraindo um ao outro. O que percebo alternado minhas leituras em livros de fantasia e romances contemporâneos, é que fantasia pode dialogar com realidade e a realidade pode dialogar com a fantasia.

A fantasia, geralmente, fala de forma representacional, não perdendo totalmente a ligação com a realidade. Isso porque ao imaginar a fantasia o autor, mesmo não se prendendo á ordem e sistemas reais, os usa como base e se arrisca nas possibilidades apresentadas por eles. Ele olha para o mundo, mas deixa ser levado pelo: e se?

Na alta fantasia, onde a realidade parece muito distante, o que o autor entra por completo no mundo do imaginário humano (a realidade psíquica). Por isso dizem que a alta fantasia está no nível da onipotência da imaginação, algo típico e muito mais fácil de ser aceito na mente de uma criança. Daí vemos a razão do distanciamento dos adultos (em sua maioria) do gênero fantástico.

Quando paramos pra refletir sobre as histórias, podemos diminuir esse distanciamento dos gêneros. Onde há fantasia, onde há realidade? No menino bruxo que luta contra o líder opressor e cheio de preconceitos ou no menino que sai de carro pelo país com seus amigos pra encontrar a garota enigmática desaparecida.

O certo mesmo é que somos agraciados com a possibilidade de entrarmos em fantasias criadas por mentes imaginativas e, seja ela distante ou próxima da nossa realidade, está no campo da imaginação. Cabe ao leitor fazer a ponte pra sua realidade. Em uns livros isso é fácil, o autor já dá todo o caminho, já em outros, é preciso mais sensibilidade para gerir a fantasia absorvendo-a e transformando a sua própria realidade de muitas maneiras.

Concordam que é necessária uma dose de realidade pra fazer uma boa fantasia? Que um bom livro (exceto não ficção) tem sua dose de especulação fantasiosa?