22 março, 2016

[Pensando Moda ] FATORES SOCIAIS PENSADOS NO PROJETO DE VISUAL MERCHANDISING

           

Trabalhando elementos como cor, iluminação, e layout de uma loja, projetos de VM podem ter efeitos mais imediatos sobre tomadas de decisão do consumidor do que outros insumos de marketing que não estão presentes em um ponto de venda ou estabelecimento comercial. Visual Merchandising, consiste então em uma estratégia de marketing e engloba um conjunto de outras estratégias aplicadas no ambiente físico para ajudar a vender um determinado produto através dos sentidos humanos.

O profissional de VM entende que os consumidores tendem a basear suas decisões de compra não apenas no produto, mas também em fatores ambientais da loja. Seu projeto baseia-se na premissa de que a experiência de compra é fator determinante para a fidelidade do cliente.

Dentre as estratégias aplicadas num projeto de VM, encontramos o  uso da psicologia do consumidor. Sabemos que o VM pode contribuir muito para a experiência de consumo positiva, por isso, estratégias que trabalhem a autoestima do cliente são propícias para o projeto de VM.  O entendimento desta característica é extremamente importante para a criação de uma relação de confiança com o consumidor. Uma empresa que, por exemplo, tenha o habito de ao não lacrar as bolsas dos consumidores mostra sua sensibilidade em relação a questão da Dignidade do Cliente.

Essa compreensão permite uma maior proximidade da empresa com seus consumidores. A importância da autoestima casos com a preocupação das empresas em oferecer um tratamento igual para todos os clientes independentemente de suas condições financeiras. Pensando nisso, percebemos o impacto social que um projeto de VM pode causar num local ou empreendimento comercial.  Numa vitrine onde os preços dos produtos não são revelados, a população de baixa renda é desestimulada a consumir. Da mesma forma se tiver que perguntar ao vendedor o preço de cada peça de roupa já que nessa situação, o consumidor terá menos poder de escolha pois precisará perguntar o valor de cada peça ao vendedor. 

Em outra situação, lojas voltadas ao publico de classe alta o preço não fixado na vitrine ou na peça  não inibe o seu consumo da mesma forma pois o credito é maior por parte desse consumidor e, nesse caso não há inibição relevante do poder de escolha do consumidor.

A forma de organizar esse ambiente focando no produto, valorizando-o cada vez mais deve estar associada também a valorização do próprio cliente. Sendo esta a forma mais ampla de potencializar a experiência de compra.  

Desta forma os estudos e praticas em VM devem possuir caráter interdisciplinar para abranger não somente moda, estética, marketing, cenografia, arquitetura, etc... O caráter social do consumidor cria a necessidade da abordagem da psicologia cognitiva e da psicologia do consumidor e até mesmo do conhecimento do meio social em que o publico está inserido. O consumidor como individuo, entendido de maneira holística para que haja maior integração do consumidor com o ambiente físico do empreendimento.



Por fim, como todo o trabalho do Visual Merchandising se baseia primeiramente no comportamento do consumidor, faz- se necessária a adoção de estratégias de VM que se baseiam na cultura do local. Experiências culturais e fatores geográficos distantes da realidade do local do empreendimento podem acarretar prejuízos de investimentos visto que a generalização não observa as especificidades do comportamento de compra de cada local. 



Bibliografias consultadas: MORGADO, Maurício G.; ETHUR, Susana Z. Varejo para Baixa Renda. Capítulo 8 – Apresentação e Visual da Loja. Porto Alegre: Bookman, 2008. / SACKRIDER, F.; GUIDE, G.; HERVÉ, D. Entre Vitrinas: distribuição e visual merchandising na moda. 1.ed. São Paulo: Editora São Paulo, 2009. / Anotações de aula da disciplina Vitrinismo. EACH/USP. São Paulo, 2015.