22 novembro, 2016

[IMPRESSÕES de LEITURAS] Imaginação Branca na literatura

Há leituras que deixam impressões fortes intencionalmente, outras provocam reflexões não intencionais nos fazendo repensar experiências como leitores.

Foto autoral + no Insta: @blogparenteses
Quando li Legend fui apresentada ao Day e nas primeiras págs criei a minha imagem mental dele. Mais pra frente, descobri que ele tinha ascendência mongol. Eu o imaginara branco até ali e tive dificuldade para readequar essa imagem. Por que o imaginei branco antes que a descrição física fosse feita? Aí lembrei que não era a primeira vez que isso acontecia.

Piper Mclean (HdO) e Carter Kane (CdK) tbm me deram trabalho para imaginá-los pq suas etnias não caucasianas não foram especificadas logo de cara.

Isso me deixou envergonhada. Por que normalizei o branco em minha imaginação e tornei as outras etnias exóticas, precisando ser explicitamente descritas? A resposta: falta de representatividade e padronização branca. Caí nesses mecanismos do racismo para tornar o não caucasiano, algo estranho.

Em minhas leituras deste ano, não encontrei um(a) protagonista negro(a), por exemplo. Isso é um problema. Cadê os protagonistas indianos, negros, latinos, árabes, etc? A maioria da população mundial não é branca. Eu mesma não sou.

Outro ponto é que grande parte dos best-sellers viram filmes com elencos inteiramente brancos eliminando a pouca incidência representativa nos livros. Um exemplo disso são os filmes de Harry Potter, com quase 20hs, somente 6min são falados por personagens de cor. A Hermione não teve a etnia especificava nos livros, mas todos nós a imaginamos branca. E sabemos o que aconteceu quando uma atriz negra pegou seu papel no teatro.

Já Katniss (THG), pela descrição nos livros, aparenta ser descendente de nativos americanos. Mas não houve incomodo em assistir uma atriz que não correspondia a isso. Talvez pq, mais uma vez, facilmente conseguimos imaginar a personagem como branca.

A partir de agora vou exercitar não embranquecer minha imaginação e torcer pra encontrar nas minhas leituras maior representatividade, me ajudando a ver o mundo como ele de fato é: multiétnico.



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