06 abril, 2015

[Resenha Crítica] A arma escarlate

Para a magia e além!



Título Original: A arma escarlate
Autora: Renata Ventura
Gênero: Literatura Infanto-juvenil.
Editora: Novo Século
Ano da publicação: 2012.


Sinopse: "O ano é 1997. Em meio a um intenso tiroteio, durante uma das épocas mais sangrentas da favela Santa Marta, no Rio de Janeiro, um menino de 13 anos descobre que é bruxo. Jurado de morte pelos chefes do tráfico, Hugo foge com apenas um objetivo em mente: aprender magia o suficiente para voltar e enfrentar o bandido que está ameaçando sua família. Neste processo de aprendizado, no entanto, ele pode acabar por descobrir o quanto de bandido há dentro dele mesmo."


Se você já leu Harry Potter, ou pelo menos assistiu aos filmes, deve ter imaginado - uma “vezinha” que seja-  como seria uma escola de magia e bruxaria aqui no Brasil. Mas você certamente não chegou perto do que Renata criou. Ela não nos deu uma escola, mas cinco.


A estória se passa na escola do Rio, a “Notre Dame du Korkovadô” ou Nossa Senhora do Korkovado mesmo. Hugo acaba de receber sua carta e de cara percebemos que ele não é o herói que esperávamos, muito diferente do bruxinho do Reino Unido. Aliás, não espere muitas semelhanças a Hogwarts para não se decepcionar, a Korkovado não é nem de longe tão perfeitinha. A Srta. Ventura soube criar um mundo da magia só nosso (com referências nos livros de J.K. Rowling muito divertidas de se perceber), bem brasileiro mesmo, cheio de encantos e defeitos. Uma quantidade considerável de defeitos diga-se de passagem. O próprio Hugo se decepciona com a escola ao perceber suas deficiências e eu também, contudo acabamos nos apaixonando por ela, não tem jeito. 

A Korkovado é parecida com escolas que eu mesma estudei (sem a parte da bruxaria, claro), os professores e alunos são em muitos pontos típicos das escolas brasileiras, assim como a própria dinâmica da escola. A magia ensinada está repleta do nosso folclore, com feitiços em Tupi e línguas africanas. Esses são exemplos do que torna A arma escarlate um livro vivo, que valoriza a cultura brasileira.

Voltemos a falar no Hugo... há momentos em que eu quis socá-lo. Oh garoto difícil! Mas dou um desconto por tudo que ele passou, não que ele mesmo não seja o culpado por uma boa parte da encrenca em que se mete durante a estória. Hugo é herói e vilão. Juguei as atitudes dele, mas depois me perguntei se não faria o mesmo se tivesse que enfrentar o que ele enfrentou. Os inimigos do Hugo, são reais, tirados diretamente do nosso mundo como muito do que ele vivência.

A verdade é que o enredo é emocionante (e viciante), fantasia e realidade se chocam de maneira caótica. Somos levados para além do deslumbre da magia, é impossível não refletir sobre moral, preconceito, os problemas sociológicos do nosso país e até sobre sua história! Assuntos sérios mesmo.


Tudo isso é tempero com uma dose de humor gerada pelas personagens, das quais eu gostei de quase todas. Exceto aquelas que são propositalmente desprezíveis. Há um grupinho de jovens bruxos excêntricos que ajuda Hugo a se integrar ao mundo da magia que me lembra muito os Marotos… ponto pra Renata! O desenvolvimento das personagens e dos fatos durante o livro é bom, cria um leve suspense instigante. O livro é narrado em terceira pessoa, outro ponto positivo pra quem gosta de ir além da visão do protagonista.


A arma escarlate superou em muito minhas expectativas, uma leitura recomendável.


+ Reflexão: Made in Brasil

É fácil gostar de um livro cheio de coisas fantásticas e agradáveis aos olhos, difícil é apreciar algo que te tira da sua zona de conforto. E Retana fez questão de fazer isso. Em certo momento me perguntei se ela não estava exagerando, afinal são crianças de 13 anos protagonizando cenas fortes, mas concluí que não. A realidade é essa, seria hipócrita não mostrá-la. A autora resolveu que falaria em seu primeiro livro sobre aquilo que precisa ser dito, num livro de fantasia voltado para adolescentes e eu a admiro sua ousadia.
“Palavras são nossa inesgotável fonte de magia”, Dumbledore diz algo assim em um dos livros e eu concordo plenamente. Um dos encantos das palavras é transmitir estórias que nos fazem aprender com pessoas que não existem, em situações que nunca vivemos. Tais palavras, as vezes, nos fazem enxergar coisas que nós ignorávamos, em outras vezes, nos leva a refletir sobre nós mesmos. Bons autores usam e abusam dessa magia, acho que Renata Ventura quer entrar para esse clube.

+ Quotes do livro A arma escarlate:

“-Você deveria tentar uma vez. É muito bom.
-Tentar o quê?
-Fazer algo pelo simples prazer de fazer. Sem pensar em recompensa.” Capí


“O erro de um sistema que treina seus filhos para agirem por medo da punição, não pelo desejo de manter a harmonia. No momento que a autoridade desaparece, o sistema se autodestrói.” Caimana


“[...] só agora começara a sentir alguma coragem verdadeira. Era a segurança que vinha de saber que estava fazendo a coisa certa.” Narrador

+ Avaliação:

11 comentários :

  1. Olha primeiramente tenho que confessar que gostei bastante da sua resenha, porque é a primeira que eu leio sobre esse livro e por conta disso fiquei ainda mais interessada em começar a leitura, porque já tem um tempo que tenho esse livro em minha estante, mas até agora eu não li por conta da quantidade de livros que ainda tenho para ler.

    Mas olha depois que comprei o segundo livro da autora na Bienal de SP eu fiquei ainda com mais vontade de ler.
    Espero poder gostar bastante da história, porque me parece ser bastante interessante.
    ótima resenha viu? Tá bastante objetiva e muito bem desenvolvida =]

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/04/resenha-o-teste.html

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada Silvana =] Eu ainda não comecei a ler o segundo livro, mas dizem que é tão bom quanto o primeiro... Quando ler volta aqui e me conta o que acho, ok?

      Excluir
    2. Amiga olha quando atualizar o seu cantinho pode me chamar que virei aqui retribuir, pois
      queria te convidar para ler a minha nova resenha - http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/04/resenha-miley-cyrus-she-cant-stop.html

      Excluir
  2. Oiee.

    Muito legal sua resenha e me fez ver o livro com outros olhos, mas ainda assim não tenho interesse em ler a obra. Vi muitas resenhas negativas e isso de certo forma me influenciou muito, mas quem sabe um dia eu mude de ideia.

    Beijos Fê
    http://www.amorliterario.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que pena Fernanda, eu realmente recomendo a leitura, mas talvez não seja o seu tipo de livro... se mudar de ideia e ler me conta! ;)

      Excluir
  3. Gostei bastante da resenha e da dica do livro
    Não sou muito acostumada a ler livros nacionais e confesso que nunca li nenhum livro relacionado a favelas
    Mas fiquei bem curiosa em relação a sua resenha, principalmente por ser relacionado a crianças
    Já estou seguindo ;)

    Beijos
    http://pocketlibro.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom que gostou da resenha Angela!
      A maior polêmica desse livro é justamente falar de tanta coisa séria por meio de crianças, mas acho que isso só o deixa mais realista. Afinal, sabemos que as crianças infelizmente não estão livres de se envolver com esse tipo de coisa somente por serem crianças, principalmente num ambiente com tanta violência gerada pela desigualdade social.
      Acho que esse livro então, seria um desafio para vc. Te faria refletir sobre coisas novas, quem sabe até aprender mais sobre os assuntos tratados e de quebra prestigiar a literatura nacional! Um bom pacote, não? =]
      Beijos, se decidir ler me conta ;)

      Excluir
  4. Eu ainda não conhecia o livro, mas achei a sinopse legal, fiquei até com vontade de ler!


    O blog anda parado... =/

    Tem novidade lá no:

    Estandy Books - A Estante da Andy

    ResponderExcluir
  5. Olha, amei o primeiro livro de paixão, foi uma coisa incrível... Porém o segundo me desapontou um pouquinho. É viciante, sem dúvidas, poré, a estória é extremamente dramática e achei um pouquinho demais. Dá vontade de ler porquê mal acaba uma desavença, outra já lhe toma. Mas vou continuar nesse mundinho, esperando o terceiro :3

    ResponderExcluir
  6. Olha, amei o primeiro livro de paixão, foi uma coisa incrível... Porém o segundo me desapontou um pouquinho. É viciante, sem dúvidas, poré, a estória é extremamente dramática e achei um pouquinho demais. Dá vontade de ler porquê mal acaba uma desavença, outra já lhe toma. Mas vou continuar nesse mundinho, esperando o terceiro :3

    ResponderExcluir
  7. Um livro que me cativou ao extremo!
    Sempre fui apaixonado pelos livros do Harry Potter. Mas o Hugo, mexeu muito comigo, talvez por estar mais próximo ou em uma realidade mais comum, não sei, somente sei que me apaixonei por essa nova trama e quero mais, sei que ela lançou o livro "a comissão chapeleira" mas eu quero muito mais desse universo e como você propriamente citou é um livro que nos faz refletir acerca de preconceitos, diferenças e uma triste realidade que nos envolveu e nos envolve até os dias de hoje... O livro é um tanto cruel e sério, claro que tem seus momentos de alívio, mas ainda sim é um livro sério mas no universo que ele é construído as coisas não poderiam ser tão diferentes!
    Adorei sua resenha e adorei os livros da Renata aguardo o terceiro ansiosamente... Bjs
    Pixies ❤0_/
    http://estanteparalela.blogspot.com.br/?m=1

    ResponderExcluir

Seu comentário é muito bem vindo.
Leia , pense, se expresse!