06 agosto, 2014

[Moda suatentável] O Papel Social do Designer de Moda


A vestimenta é uma linguagem simbólica e a Moda, um conjunto de códigos dos quais as pessoas se servem para comunicar-se e entender os acontecimentos e o pensamento coletivo de determinado período. 

A moda expõe valores que estão prestes a emergir no ambiente social. O que faz do designer de Moda, um agente ressignificador da sociedade, na medida em que ele passa a funcionar como um catalisador de diversos universos de referências do cotidiano social. Ele sedimenta as subjetividades da sociedade para projetá-las na sua criação.

A Moda preconiza os aspectos morais e culturais latentes nas sociedades, refletindo com eficácia os sintomas sociais que permeiam o cenário da contemporaneidade. Produzir moda é uma trajetória de constante enriquecimento de conteúdo sociocultural.

 A partir da sua relação com temas sociais, políticos, e filosóficos, o criador de Moda projeta desejos e necessidades materiais e imateriais construindo um objeto de desejo e consumo. As criações são, sob este ponto de vista, instrumento para a materialização e perpetuação de ideologias, de valores predominantes em uma sociedade. O designer reproduziria realidades e moldaria indivíduos por intermédio dos objetos que configura. 

Esse papel social imperativo torna extremamente importante a análise crítica dos modos de pensar e fazer Moda na sociedade.

O designer consciente da relação da Moda com a sociedade sabe da responsabilidade que tem pelas interferências de sua produção nesta, tanto no plano social quanto no subjetivo e está mais perto de exercer este papel contribuindo positivamente para o desenvolvimento da sociedade. 

Como profissional preparado com instrumentos objetivos e qualidades imaginativas em busca de uma solução inédita para sua criação; ao admitir-se como cidadão ativo na construção de linguagem coletiva, o designer de moda deve assumir um papel criativo não só para criação de estilos inéditos, mas também para propor soluções que acarretem benefícios para a sociedade. 

O designer tem nas pessoas, seres humanos, seu campo vivo e dinâmico para atuação humanista. Portanto, o profissional desta área, deve ser formado com valores humanistas e solidários para o exercício socialmente responsável de sua atividade. Os caminhos propostos por Carlos Rodrigues Brandão, Paulo Freire Paul e Singer , para uma interação da formação acadêmica com a sociedade , são consideráveis na atuação social do designer de moda.

A pesquisa participante apresentada por Brandão, como forma de estabelecer uma relação do estudante com as comunidades populares, é um caminho para construção do pensamento solidário deste sua formação para o posterior exercício de sua profissão. 

A consciência do valor de cada individuo e cidadão em sociedade,  e em todas as camadas sociais proposta por Freire é significativa numa área profissional que envolve indivíduo de diversos níveis sociais na mesma cadeia de produção. Esta consciência é a forma mais eficaz de se evitar a opressão, o trabalho escravo ou semiescravo dentro da produção de moda. 

De semelhante importância, a Economia Solidária exposta por Singer, aplicada á atividade do designer de moda, surge como alternativa para geração de trabalho e renda além de inclusão social. A aproximação do designer de moda com comunidades populares converte-se em ganhos para as comunidades ao mesmo tempo em que propiciam o aproveitamento e o resgate de técnicas de manufaturas dos produtos de moda, numa relação de benefício mútuo.


Assim, concluísse, que o Designer de Moda que agrega valor social em sua formação é capazes de promover o desenvolvimento em toda a área de Têxtil e Moda, transformando construtiva e modernamente o contexto em que estamos inseridos, de modo a avançar o desenvolvimento no setor e a democracia em sociedade. 

( Este texto é parte do meu Relatório de Estudo do Papel Social do Design de Moda feito para Tutoria Científica na Graduação em Têxtil e Moda na Universidade de São Paulo)

03 agosto, 2014

[Poesia do mês #3] Não sei quantas almas tenho



Não sei quantas almas tenho.

Cada momento mudei.

Continuamente me estranho.

Nunca me vi nem acabei.

De tanto ser, só tenho alma.

Quem tem alma não tem calma.

Quem vê é só o que vê,

Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.

Cada meu sonho ou desejo

É do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem;

Assisto à minha passagem,

Diverso, móbil e só,

Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.

O que segue não prevendo,

O que passou a esquecer.

Noto à margem do que li

O que julguei que senti.

Releio e digo: “Fui eu?”

Deus sabe, porque o escreveu.
  
                                                                                  Fernando Pessoa

+ O Poeta e a Poesia: 

Concordo com Pessoa, viver a vida e pensar a vida são opostos que sempre nos desafiam...

Fernando Pessoa. Escritor e poeta, Fernando Pessoa é considerado, ao lado de Luís de Camões, o maior poeta da língua portuguesa e um dos maiores da literatura universal. O crítico literário Harold Bloom afirmou que a obra de Fernando Pessoa é o legado da língua portuguesa ao mundo. Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, em junho de 1888, e morreu em novembro de 1935, na mesma cidade, aos 47 anos, em consequência de uma cirrose hepática. Sua última frase foi escrita na cama do hospital, em inglês, com a data de 29 de Novembro de 1935: ‘I know not what tomorrow will bring’ (Não sei o que o amanhã trará).

+ Dica de Leitura:

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