31 julho, 2014

[Lista #2] Turismo Literário - Lugares para conhecer dentro e fora dos livros!


O Turismo literário é por assim dizes, uma modalidade de turismo cultural cujos roteiros baseiam-se em lugares relacionados ao universo literário.
A ideia é que leitores acostumados a viajar nas estórias descritas nas amadas páginas de um livro conheçam os lugares onde personagens viveram , passaram, onde fatos importantes da literatura ocorreram e até mesmo onde viveram e morrem seus autores preferidos.

Em geral, a literatura está por todos os lados: nas ruas, nas calçadas, nas praças, nas construções e no jeito em que a própria cidade se configura. Da mesma maneira que absorveram parte dos costumes de cada região, deixaram ali parte de si mesmos.

A jornalista e roteirista Goimar Dantas embarcou nessa viajem. No seu livro “Rotas Literárias de São Paulo” (Editora Senac São Paulo), a ela propõe 21 rotas paulistanas baseadas nas vidas dos escritores que moraram na cidade. A ideia do projeto surgiu depois de a autora visitar as casas e propriedades que pertenceram ao escritor William Shakespeare (1564-1616) na pequena cidade de Stratford-upon-Avon, na Inglaterra.

Alguns dos locais de destaque no Turismo Literário Nacional são:


Em São Paulo:
A casa onde morou Mário de Andrade (1893-1945), na Barra Funda – hoje Oficina da Palavra (foto).
A Faculdade de Direito do Largo São Francisco, onde estudaram Álvares de Azevedo (1831-1852), Castro Alves (1847-1871) e Fagundes Varela (1841-1875). Os causos literários da Academia Paulista de Letras, no Largo do Arouche.
O Teatro Municipal de São Paulo, palco e plateia da Semana de Arte Moderna, em 1922, entre outros acontecimentos culturais importantes.
O Centro Cultural São Paulo, concebido por Mário Chamie (1933-2011), quando secretário municipal de Cultura.
O Cemitério da Consolação, onde estão enterrados escritores como Monteiro Lobato (1882-1948) e Oswald de Andrade (1890-1954).
O Museu da Língua Portuguesa, no centro de São Paulo, possibilita ao viajante uma verdadeira imersão na literatura. As exposições são temporárias, sendo o tempo de exposição variável, o que possibilita diversas visitas de tempos em tempos.
Entre outros.

No Rio de Janeiro:
A casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, é um dos marcos para o turismo literário brasileiro. Em 1930, a moradia do escritor virou o primeiro Museu-Casa do Brasil, apenas sete anos após a sua morte. A casa, comprada pelo governo, possui uma biblioteca com mais de 37 mil volumes e arquivos. No local, também funciona a Fundação Casa de Rui Barbosa.
Em Recife:
A capital pernambucana guarda a Casa-Museu Magdalena, local onde o escritor Gilberto Freyre, autor da obra “Casa-Grande e Senzala”, morou por 40 anos . Ainda em vida, decidiu transformar sua casa em uma causa maior. O local mantém a decoração do século passado e possui um acervo de 40 mil volumes.
Recife também reserva grandes surpresas no Circuito da Poesia, através de esculturas em tamanho real a doze importantes artistas de Pernambuco, incluindo João Cabral de Melo Neto, Manoel Bandeira e Clarice Lispector.

Em Goiás:
Com o objetivo de lutar pela preservação da vida e da obra da escritora Cora Carolina, em 1989 foi aberto o Museu Casa Cora Carolina, na cidade de Goiás. Apesar da distância da capital do estado, a casa de uma das poetisas e contistas brasileiras é uma boa opção literária.

Ilhéus (Bahia) – Terra de Jorge Amado <3
Visitar Ilhéus, na Bahia, e não lembrar de Jorge Amado é uma tarefa difícil. A cidade possui um bairro batizado com o nome do escritor e um circuito exclusivo, o Quarteirão Jorge Amado. Aos fãs da obra “Gabriela Cravo e Canela”, a viagem pela Costa do Cacau possibilita uma experiência inesquecível pelas colônias e praias da região.
  

E agora pensando no Turismo Literário Internacional, as opções são tão grandes quanto o mapa mundi.


Na Inglaterra (Devon)
No Sudoeste da Inglaterra, a casa de campo de uma das maiores autoras policiais, Agatha Christie, pode ser visitada desde 2009, após uma longa restauração. A casa Greenway, como é conhecida, possibilita visitação aos salões que presenciaram seus últimos manuscritos, além de reunir alguns dos objetos que pertenceram à escritora.

Em Portugal (Lisboa)
A “Casa da Poesia”, inaugurada em 1993, é uma homenagem ao poeta Fernando Pessoa. Localizada  no edifício em que viveu por mais 15 anos, o espaço reúne biblioteca, exposições temporárias, sessões de leitura, oficinas musicais e outras atividades culturais.

Na França (Nantes / Amiens)
O autor da famosa obra “A Volta ao Mundo em 80 dias”, Júlio Verne, também foi homenageado, sendo as casas em que nasceu e faleceu transformadas em museus. Onde nasceu, em Nantes, no Oeste da França e onde faleceu, em Amiens, no Norte do país. Se você ficar mais tempo no país, a dica é fazer um roteiro turístico, visitando as duas cidades, que ficam a 500 km de distância uma da outra.

Roteiros itinerantes - eventos 

Roteiro Importante no Turismo literário são as Feiras e Eventos. As Feiras do Livro são os eventos literários mais frequentes em todo o Brasil. Os eventos mais famosos são as Bienais do Livro, que acontecem nas principais capitais brasileiras e a Feira Literária Internacional de Paraty. As principais bienais acontecem em São Paulo ( Nesse ano tem gente! – Mais informações na aba “Cultura na Agenda”), em Minas Gerais, no Paraná e no Rio de Janeiro.

A Feira Literária Internacional de Paraty (RJ) acontece anualmente. A cidade fluminense faz parte do circuito internacional de turismo literário e é uma das principais referências quando o assunto é literatura.


Como planejar um roteiro de turismo literário?


Traçar a rota de seu personagem preferido, visitar a cidade que ambienta a história, percorrer os principais lugares da vida do autor… As opções são infinitas. Tudo depende do que mais agrada você, leitor, deixando-se levar por sua curiosidade e por sua paixão pelas obras!

Não se esqueça, porém, que o turismo literário começa no momento em que você pega um livro e mergulha em sua história. Melhor ainda, que tal fazer as duas “viagens” simultaneamente? Viajar para o destino do seu autor preferido lendo uma de suas obras?

A sugestão para os iniciantes é começar o turismo literário em sua própria cidade. Que tal ler uma obra de um autor local e conhecer mais sobre sua vida? Ao terminar a leitura, desbrave a cidade: visite seu local de moradia, a praça que ele costumava frequentar, um museu que tenha exposições dele, entre outros.

E aí ficaram empolgados? Já estou traçando meus roteiros aqui, aproveite uma folga para conhecer esses lugares incríveis também.



Fontes: Blog Edison Veiga do Estadão e Blog da Mala Pronta por Felipe Martins

23 julho, 2014

[Entrevista Com o Autor #3] Emerson Dantas e Pimenta

Com satisfação apresentamos a mais recente parceria do blog , Emerson Dantas e Pimenta, autor do livro “Herói” lançado pela editora Buriti. 


"...tive que arrumar outra forma de canalizar a criatividade, e foi escrevendo que eu me encontrei." Emerson D. e Pimenta

Emerson Dantas e Pimenta tem só 23 anos, nasceu e vive Montes Claros -Minas Gerais e seu gênero é a Fantasia.  Leia nossa conversa abaixo e saiba mais!

EM&L: Há quantos anos você escreve e o que te motivou a começar escrever?
Emerson Dantas e Pimenta: Bem, eu comecei a escrever de verdade com 17, 18 anos. Antes eu fazia algumas fanfics bobinhas, e desenhava, tinha meus próprios “mangás”, e “HQs” (risos), mas não ficava muito legal não, então quando percebi isso tive que arrumar outra forma de canalizar a criatividade, e foi escrevendo que eu me encontrei.

EM&L:“Herói” é sua primeira obra?
Emerson : Antes de ‘Herói’ eu já havia escrito alguns contos. E também já havia participado de várias antologias antes de publicá-lo.

EM&L:De onde veio a inspiração para este livro?
Emerson: A inspiração veio de algumas situações que eu vivia na época. Foi um momento estranho da minha vida. A saída do colégio para a faculdade, mudanças estranhas de rotina. Então resolvi juntar o mundo em que eu vivia com o dos animes, mangás, séries, que acompanhava, e fazer uma grande metáfora que qualquer jovem que lê irá se identificar de algum modo. Daí fui juntando a personalidade de pessoas que eu conhecia, com de personagens que eu gostava, fui colocando minha experiência em algumas situações, modificando algumas coisas, e ‘Herói’ foi concebido.

EM&L:Qual a maior dificuldade que encontrou para escrever seu livro?
Emerson: Pra escrever não creio que tenha encontrado muita dificuldade não, fluía muito bem o enredo em si. Desde o começo eu sabia o que ia escrever e como queria o livro. Mas como ainda era muito imaturo, pessoalmente e literariamente falando, obviamente me esbarrei com dificuldades com a língua; mas nada que 4 anos de revisão, e o trabalho da editora não desse jeito.

EM&L:E qual a principal dificuldade que encontrou para publicá-lo?
Emerson: Engraçado que muita gente que conversa comigo sobre escrever acredita que a grande dificuldade está em publicar. Aprendi que a dificuldade realmente está na ilusão de ser contratado por uma grande editora e ganhar dinheiro logo de ponto. Então sofri o necessário, e hoje percebo que enquanto eu escrevia acreditava que o grande problema seria publicar, hoje publicado, vejo que o grande problema é ser vendido. Espero ansiosamente o dia que meu problema vai ser decidir pra qual estúdio de Hollywood vou vende os direitos do meu livro (Risos).

EM&L: Você se dedica integralmente á escrita ou exerce outra profissão também?
Emerson: Oh, que sonho seria, batalho para isso, mas atualmente eu atuo como Advogado.

EM&L: O que você está escrevendo atualmente? Pode nos falar um pouco sobre?
Emerson: Bem, contos são a minha paixão, então nunca hei de abandoná-los. Também estou escrevendo a continuação de ‘Herói’, que anda um pouco estagnada, mas se Deus permitir, vai deslanchar. 

EM&L: Quais são seus autores preferidos?
Emerson: Eu tenho UM autor favorito, que se ele escrever bula de remédio eu faço questão de ler, que é o espanhol Carlos Ruiz Záfon (A sombra do vento, O jogo do anjo...). Ademais, tenho autores que gosto bastante de uma obra ou outra.

EM&L: Como você vê a situação/aceitação da literatura nacional contemporânea?
Emerson: Evolui bastante, e isso me agrada. O que me entristece é que ainda estamos reféns das grandes editoras que manipulam o mercado editorial, e engolem as pequenas/médias; e também a grande guerra de egos que ainda existe, e o preciosismo exagerado. Alguns não conseguem entender o mágico da literatura que é ter espaço pra todos. Se, por exemplo, escrevermos sobre o mesmo assunto, na mesma vibe, ainda assim escreveremos diferente, seremos eu e você, talvez até o mesmo mundo, mas sob óticas diferentes, e podemos atingir ao público, juntos. Sem desmerecer o trabalho de ninguém.

EM&L: Você pode nos indicar um autor nacional contemporâneo que acha que todos devem conhecer?
Emerson: Bem, me vejo obrigado a honrar minhas origens. Eu vim da taberna da literatura nacional. Longe dos queridinhos e dos ‘pops’. Surgi do sub mundo, então me sinto obrigado a levá-los até ele, e tenho certeza que vocês irão gostar. Não tenho como indicar um só, mas toda uma comunidade: ‘A irmandade’ (airmandade.net). Lá se pode encontrar literatura da melhor qualidade, principalmente pra quem gosta de terror. Contos brilhantes, e todos gratuitos.

Emerson: E aproveito a oportunidade pra agradecer e te parabenizar pelo blog, que é muito lindo. J  Att, Sem.


Adoramos saber mais sobre o Emerson e prestigiar mais um jovem autor nacional. Seu livro “Herói” acaba de chegar aqui e, com marcadores lindos! Logo mais tem resenha. ;)


Ah, pra quem quiser adquirir logo seu exemplar, "Herói" está disponível na Livraria Cultura e na loja da Editora Buriti
Seguem os links do livro nas redes:

14 julho, 2014

[Resenha Crítica] Churumela e o Amuleto de Belizar

Desvende seus olhos



Título Original: Churumela e o Amuleto Belizar
Autora: Elaine Souza
Gênero: Fantasia/ Literatura Infantojuvenil
Editora: Dracaena
Ano da publicação: 2013.

Sinopse: “Churumela é uma adolescente de quinze anos, que trabalha como garçonete desde a morte de seu pai há três anos. A sua mãe a abandonou assim que nasceu, deixando-lhe apenas uma medalha de ouro com a inscrição Bakía, cujo significado ela só irá descobrir dias antes de seu aniversário de dezesseis anos ao ganhar um espelho rachado e uma folha em branco. A partir de então, novas amizades e aventuras invadem a pacata vida da garota de nome esquisito, que 
descobrirá o mistério sobre sua verdadeira identidade e que seus olhos não são violetas por acaso.”

Esta é a primeira obra publica de Elaine Souza, formada em medicina pela 
UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e, pelo que nos contou em entrevista, não será única.

O título do livro me cativou pela estranheza, quando virei a capa para olhar a sinopse não foi bem isso que encontrei:

“ - Ei, Chu. Pediram-me para fazer uma sinopse de sua história para colocar na orelha do livro.
- Orelha? Elaine, você deveria falar de meus olhos violetas e não de minha orelha.
- Não é a esse tipo de orelha que estou me referindo… Ah, esquece!!! Acho que vou começar assim:
Churumela é uma adolescente de quinze anos, que trabalha como garconete na Delícias de Carne desde a morte de seu pai. Nunca conheceu sua mãe e…
- Pode parar! Coisa mais chata! Por que não pula para a parte que minha vida muda completamente ao ganhar, dias antes de meu anivesário de dezesseis anos, um espelho rachado e uma folha em branco?
- Mas aí eu teria que contar sobre Bakía, os Falgoses e suas tranças brancas, as Princhis e suas mágicas, os Mandras e suas espadas, os Magôs e seus doze dedos, as colinas Criskas… Churumela, suas aventuras são de deixar qualquer um de orelha em pé!
- De novo ese papo de orelha?
- Por onde devo começar?
- Você, eu não sei. Mas você, LEITOR, que tal começar pela primeira página?”

Segui a orientação de Churumela cheia de curiosidade. Ela narra suas aventuras com desenvoltura, muitas vezes referindos-se diretamente a nós, leitores. A estória é divídida em três partes, ao final de duas delas há um pequeno capítulo onde Chu compartilha conosco suas reflexões e temores sobre tudo o que se passou ou ainda sobre o que está por vir. Assim, a narrativa se constitui um dos pontos fortes do livro. Só falha nas cenas de ação, poderiam ser mais elaboradas.

Amizade, amor e o modo como vemos a vida com tudo que ela nos proporciona são valores que ecoam durante as 438 páginas do livro. Não se assuste com o número relativamente grande. A trama demora para deslanchar, na primeira parte cada acontecimento é envolto por segredos e assim como Churumela, não sabemos onde vamos parar. Mas o suspense motiva a leitura, a linguagem informal a torna agradável e logo estamos familiarizados com a narradora tagarela. E quando Chu finalmente descobre o que é Bakía, acaba nos envolvendo em seu mundo. (Também quer saber o que é?! Leia o livro! rs)

Não vou lhes contar mais sobre o enredo, para que assim como eu, vocês se surpriendam com o livro. Quero compartilhar a sensação de descoberta divertida que a autora me proporcionou. Elaine estreou bem, quero continuar acompanhando o crescimento desta autora e, é claro, as aventuras de Churumela.  

+ Reflexão: Desvende seus olhos, Liska!
Chu, ensinou-me uma coisa: há poesia em tudo, basta você se permitir ver. Cada momento pelo qual passamos pode nos ensinar algo. Mas para aprender precisamos enxergar além do óbivio, é necessário desvendar os significados para encontrar beleza e esperança nas coisas mais simples.

+ Quotes do Livro Churumela e o Amuleto de Belizar:
“Escreva sua poesia, minha menina. Não perca tempo olhando uma folha em branco. Você vai escrever coisas ruins, feia, tristes e alguns fracassos. É normal! Vai ter vontade de apagar esses versos com a grande borracha do tempo, mas perceberá que até mesmo os versos mais amargos podem gerar a força e inspiração para escrever os mais doces. Cada estrofe representa mudança, então não escreva apenas uma.”

“ [...] não existe amor onde só se enxerga a si próprio, Churumela!”

+ Avaliação:






05 julho, 2014

[Poesia do mês #2] O Tempo



O Tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

 Mario Quintana

+ A poesia e o poeta:      

O que mais poderíamos ver se o tempo passa tão de pressa que não dá nem tempo de pensar nas coisas antes de acontecer, quando se percebe já foi, já aconteceu e não tem como voltar atrás deixando só a lembrança ou a angústia de ter passado por algo de ruim, e depois que passar perceber que poderia ter evitado, poderia ter feito diferente, lamentações não adiantam mais já foi, já passou! Leia mais uma vez, acima, o poema de Mario Quintana.

Mário de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Nasceu em Alegrete em 30 de julho de 1906 e faleceu em Porto Alegre, em 5 de maio de 1994.