31 outubro, 2014

LITERATURA NA MODA: ON THE ROAD, WALTER SALLES E A NOVA COLEÇÃO DA ROWNEY



Instagram:@semgeracao

Quando eu digo que alguém que trabalha com moda precisa entender um pouco de tudo, não é exagero. Se você se propõe a falar de moda, certamente precisa entender o mínimo de economia (uma vez que ela mexe com o sistema econômico), de música (os movimentos musicais influenciam e sempre vão influenciar a moda das tribos), de comportamento (a mudança do vestuário ao longo dos século XX está aí para provar isso) e também de literatura.

Falo isso porque recentemente recebi o release da coleção de uma marca carioca que se reestrututou e trouxe novidades para seus consumidores. A Rowney coincidentemente me enviou a campanha da nova coleção intitulada "On The Road" na mesma semana em que eu peguei o livro de Jack Kerouac para ler. Calma que eu explico.
Após assistir, depois de mais de dois anos, o filme brasileiro-franco-canadense de Walter Salles (respeitável diretor conhecido internacionalmente), On The Road, decidi finalmente pegar o livro e tentar entender mais de perto como uma obra pode influenciar tanto uma sociedade e ser fator determinante para uma das tribos urbanas mais importantes do século XX, os hippies. O filme de 2012 (que tem no elenco as Kristen Stwart e Dunst, Garrent Herlund e a brasileira Alice Braga) é uma adaptação do livro homônimo lançado nos anos 50.
A Geração Beat


A história do livro conta os anseios utópicos de um grupo de jovens do pós-guerra que decidiu largar a vida engessada pelos seus antepassados, pegar a estrada e seguir rumo ao oeste dos Estados Unidos guiados pela filosofia de vida livre que permeou a geração de artistas marginais, estudantes, poetas, escritores e músicos na década de 1950. Eles vinham de tempos de guerra, e viram seus pais serem oprimidos pelo governo numa sociedade opressora. Por isso, tinham como valores o amor livre, a comunhão com a natureza e, sobretudo, a felicidade pura e orgânica como princípio básico. Segundo o historiador Eduardo Bueno, como conta no prefácio do livro, esses jovens eram chamados de hipsters lá década de 1950 (qualquer relação é mera coincidência) por serem considerados modernos demais e com princícios que se opunham aos anteriores.
O livro de Jack Kerouac dá forma a essa geração e foi o mais lendário e famoso do autor de outro 23 títulos. Virou uma espécie de bíblia para esses de jovens que, uma década mais tarde, desencadeou nos Hippies. A obra foi influência em vários sentidos. Exemplo disso são os registros de que Bob Dylan saiu de casa após ler a obra, e The Doors tenha sido formado após Jim Morrison terminar a última página de On the Road.
E não foi à toa, imagino eu, que uma marca carioca de moda masculina usou a obra de Kerouac como ponto de partida para a criação das peças de sua coleção de verão e estética do catálogo. A Rowney tem ganhado os cariocas com um conceito bem "livre", por assim dizer. Percebe-se que na nova coleção, tudo tem um porquê: os tons terrosos do solo, o azul dos lagos e o verde da vegetação, que diversas vezes são citados na obra de Jack Kerouac, colorem as peças. As estampas também buscam traçar rotas e vêm em formatos de mapas e caminhos. As lavagens das camisas jeans resgatam o desgaste das estradas e, quando aliadas às bermudas coloridas buscam um apelo fashion do novo homem.  A coleção pode ser conferida no site, mas ficam aqui algumas imagens pra vocês: 






2 comentários :

  1. Gostei desse posicionamento. Acho muito legal quando uma marca busca inspiração em algo assim, e consegue criar uma campanha que inspira as pessoas. Adorei!

    http://laoliphant.com.br/

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  2. Adorei o post, achei mega interessante e com certeza usaria hahaha <3

    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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