07 abril, 2014

[Resenha Crítica] Perdão, Leonard Peacock

                                Como encarar passado, presente e futuro, e... Viver.


Foto: Créditos na imagem

Título Original: Forgive Me, Leonard Peacock
Autor: Matthew Quick
Gênero: Ficção Americana/ Literatura Estrangeira
Editora: Intrínseca
Ano da publicação: 2013.

Sinopse: “Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho, fumante inveterado e obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, iraquiano que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor de alemão que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto e que desempenha um papel crucial na vida de Leonard quando o jovem se aproxima do seu ato final. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto.”

O estilo do autor norte-americano Matthew Quick é afirmado neste seu quarto livro publicado (segundo traduzido no Brasil) como uma narrativa sincera e repleta de boa ironia que constroi aos poucos, palavra por palavra um questionamento sobre conflitos psicológicos e sociais.

Quick criou uma história sensível e forte, o autor nos submerge em uma narrativa baseada em conflitos familiares, mas que consegue ter seus momentos de pureza e beleza.

A narrativa transcorre em um dia em que Leonard Peacock completa dezoito anos! Para comemorar, ele se impõe uma missão: Desatar alguns nós do passado e, no fim do dia, suicidar-se, mas não antes de matar seu amigo de infância.

A dedicatória do livro nos revela a construção dessa narrativa; “Para os forasteiros, passado, presente e futuro.” Quick irá usar estes três tempos para nos fazer compreender melhor a personagem central. As notas de rodapé são recursos criativos para explicar históricos de situação e personagens ao longo da história. Outro recurso são as “Cartas do Futuro”, nelas Leonard fará contato com sua vida em uma projeção de suas expectativas para o seu futuro.

Fruto de uma família disfuncional, Leonard Peacock é um adolescente carente que clama por atenção durante todo o livro. Seu pai foi embora de casa (e pode até já estar morto), sua mãe, Linda, é uma estilista de sucesso em Nova Yorque e foge de Leonard como se foge de uma vida de frustrações e inconveniências.

Seu plano de assassinato-suicídio adolescente conta com uma fase preliminar, a despedida e entrega de presentes especiais para alguns de seus poucos amigos. O autor nos conduz a partir deste ponto, rumo ao ato fatídico.

As questões trazidas à tona pelo autor ao longo da história são sérias. A pedofilia, o alcoolismo, a religião, a família, sexualidade... Neste amplo campo de questionamentos,  autor pretende também fazer uma crítica  a “padronização” social; tenta nos levar a crer que aos diferentes são julgados, negligenciados e reduzidos á um rótulo. No entanto o que percebi no livro, são personagens bastante estereotipadas. O garoto que sofreu pedofilia, a estilista famosa e fútil, o professor sensível, o garoto asiático, a menina cristã protestante, o menino solitário e incompreendido... Acho que a todos esses personagens, faltou mais personalidade, faltou uma fuga dos padrões que nos proporcionaria grandes descobertas! Isso não acontece, mas nem por isso, a analise destes, torna-se vazia, mas sem dívida, não nos tira do lugar comum...

Assim, meu personagem preferido, é Walt, o vizinho idoso com quem Leo estabelece um ritual de diálogo peculiar usando frases de diversos filmes de Bogart. Aliás, as referencias cinematográficas são um mais um ótimo recurso na narrativa. Walt, não é apenas um velho solitário fã de cinema. Ele tem a sensibilidade que falta a todos os outros personagens da história, fazendo-o a personagem mais generosa e forte do livro.

Mas o grande fio condutor da história e a maior questão do livro é a construção da personalidade do individuo e a realização pessoal. A essas questões há material suficiente no livro para nos proporcionar boas reflexões.

“Perdão, Leonard Peacock” nos faz encarar a difícil passagem da adolescência para a vida adulta, processo cada vez mais longo e demorado nos dias de hoje. E nos mostra que a incondicional e dolorosa mudança da vida assim é, porque nos faz questionar os parâmetros que um dia pareceram seguros.

+ Reflexão: Perdão, Leonad Peacock: A razão do perdão.

A culpa, o remorso, arrependimento são os motivos que nos fazem pedir perdão.  O título do livro é a assinatura de Leonard para a sua narrativa. Por que perdão? Peacock não se culpa por seus atos, repensa-os e os encara de forma diferente no final; o perdão ilustra o concerto de uma consciência acerca de sua própria existência. A única reconciliação que aparece na história é a de Leonard com sigo mesmo. Com seu passado, com seu presente, e, ainda bem... Com seu futuro.  “Continue arrancando as algas [...] Limpe sua mente. E maneje a grande luz. Mesmo que ninguém esteja olhando.”

+ Quotes do Livro “Perdão, Leonard Peacock”:

“É por isso que as pessoas dão presentes, certo? Porque não sabem como se expressar em palavras...”. - L.P.

“Primeiro eles o ignoram, depois riem de você, em seguida lutam com você, e então você ganha.” - H. S.

“Eu sei como é difícil ser diferente. Mas também sei a arma poderosa que ser diferente pode vir a ser.” – H. S.

“Continue arrancando as algas [...] Limpe sua mente. E maneje a grande luz. Mesmo que ninguém esteja olhando.” S.

“A chave é fazer algo que marque você para sempre na memória das pessoas comuns. Algo que importe.” 

+ Avaliação:  





  

10 comentários :

  1. Nossa. Que vontade me deu de ler esse livro. Ja tinha lido uma resenha desse mesmo livro em outro Blog, mas a sua ficou muito boa.
    Parabéns.

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  2. Nossa amiga! Achei esse livro bem forte, sentimentos e mais sentimentos misturados, não sei se teria coragem para lê-lo já choro a toa e fico impressiona quando vejo algo assim no meu dia a dia imagina lendo e tendo que imaginar a história...mas meus medos não me tiram a ideia de que esse é um livro bem interessante quando se esta procurando algo diferente e forte para se ler.
    Beijokas
    ateliedoslivros.blogspot.com.br

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  3. Já gostei do estilo de Matthew Quick em O Lado Bom da Vida, e adorei a sinopse deste livro. Definitivamente vai entrar na minha lista de leituras!
    Beijos!

    http://www.diarioquaseescritora.blogspot.com.br/

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  4. Oi Pétala,
    Ual, que resenha impecável! Eu gostei do primeiro livro lançado no Brasil do autor, mas nem sabia do que se tratava esse segundo. No momento estou fugindo de leituras assim, meio depressivas ou suicidas, porque saí de um livro bem pesado. kkkk Mas espero poder ler em breve, gosto da forma que Matthew escreve, ele consegue abordar temas complexos com bastante sutileza. Pena eu ter perdido o autógrafo dele na Bienal :/ kkkk

    Ótima dica! Beijos ;*
    Mari Siqueira
    http://loveloversblog.blogspot.com

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  5. Oi, Pétala!
    Adorei a resenha. Faz tempo que vejo as pessoas falarem muito bem desse livro, principalmente por toda a trama psicológica que ele traz. Pelo que percebi, a escrita desse autor nos faz entrar na mente do personagem para entender o que ele está passando. Li O Lado Bom da Vida e foi assim. Espero ler em breve, ele já está na minha lista (gigante) de desejados :)

    Beijos
    Rayssa
    http://diariosdleitura.blogspot.com.br/

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  6. Oiee..
    Eu não li o Lado Bom da Vida, nem vi o filme (vergonha)
    Quero muito ler Perdão... mas to sem ele aqui em casa! kkkkk
    Ele tá na minha lista junto com mais uns 9131932938120382108309123 livros... um dia eu chego nele.
    Amei a resenha.

    Beijos da Edi
    Parte de Minha História
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  7. Olá, tudo bem?

    Então, li esse livro no ano passado sem esperar nada e fui severamente surpreendido. Concordo contigo em tudo que falou, achei a obra genialíssima. Esse medo do personagem de crescer foi muito bem construído durante o texto. É sem dúvida uma das melhores obras que já li.

    Beijos,
    Juan Silva - http://asasliterarias.com/

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  8. Credo!
    Acho que não vou gostar... meio estranho esse negócio de assassinato-suicídio. =/
    E como vc falou que faltou mais personalidade aos personagens estereotipados acho que vai fugir bastante do estilo que gosto.

    Amei a resenha! Foi clara e me ajudou a definir minha linha de pensamento sobre esse livro. ~.~'

    Boa leitura!

    Cássia Lima
    Vivendo um sonho por dia
    ou
    No Wordpress: Vivendo um sonho por dia

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    Respostas
    1. hahahh Realmente achei bem estereotipados a maioria dos personagens... Mas não fique com a impressão de que é um livro sanguinário e violento por causa assassinato - suicídio , pois não é nem um pouco ;)

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  9. Oii!
    Eu tenho uma enorme vontade de ler esse livro, e enquanto não sobra tempo (e dinheiro, rs) eu vou lendo as resenhas. hahah
    Adorei sua forma de reflexão sobre o livro.A culpa, o remorso e o arrependimento são sentimentos muito fortes, e concordo que sejam eles que nos fazem pedir perdão. Enfim... boa resenha!
    Beijos,
    http://coemundo.blogspot.com.br/

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