28 março, 2014

[Resenha Crítica] Blecaute

                              Quando pintaram a Av. Paulista de Vermelho...     

          


                       
 Título Original: Blecaute 
Autor: Marcelo Rubens Paiva
Gênero: Ficção Nacional / Distopia
Editora: Brasiliense / Selo Mundo Jovem

Sinopse: A apresentação do livro pelo autor: Este livro é inspirado no seriado americano Twilight Zone, conhecido no Brasil por Além da Imaginação. Mas também é fruto de um sonho de criança, desses que todo mundo já teve. Afinal, nada melhor do que ir além da imaginação. Três amigos saem em uma expedição às cavernas. A aventura desanda em desastre e os exploradores se vêem presos na caverna. Três ou quatro dias depois, eles conseguem emergir da caverna para fazer uma absurda constatação: todas as pessoas à sua volta viraram "duros", paralisados como estátuas de plástico. Um estranho fenômeno ocorreu e os três parecem ser os únicos habitantes vivos do planeta. Será? 

"Não fico mais aflito por saber que nada sei. O que é? De quê? De onde veio? Para onde? São perguntas cujas respostas não me interessam. O tempo não precisa ser medido."

Uma distopia existencialista que nos faz refletir não sobre o futuro da humanidade, mas sobre nosso mais íntimo presente. Como narrativa construída para aqueles que gostam do caminho percorrido e não se apegam a finais. Se este é o seu caso, corra para ler. Suspense, mistério, ficção e romance não te deixarão largar o livro até que chegue a ultima página. 

Narrado em primeira pessoa, o protagonista Rindu, conta sua história através de um fluxo de consciência ligando diferentes momentos de sua vida na tentativa de desvendar um presente tão ficcional, que ele próprio custa a entender. O que aconteceu com o mundo? O que ele está vivendo é mesmo real? As respostas que ele encontrará irão muito além destas “simples” perguntas.

Não há quase descrição física dos personagens no inicio, e pouco descobriremos sobre a aparência dos personagens ao longo do livro. Encare como privação ou presente. O autor dá preferência à descrição psicológica de seus personagens, nos revelando aos poucos as faces complexas de pessoas comuns.

A história tem inicio quando um pequeno grupo de quatro estudantes paulistas decide fazer uma expedição a uma gruta/caverna no interior de São Paulo, ao chegar ao local, um dos garotos decide ir embora, a aventura continua para os outros dois rapazes (os inseparáveis amigos de infância Rindu e Mario) e para a única garota na do grupo, a Martina. Uma enchente os deixa presos durante alguns dias nesta caverna. Quando a enchente acaba, eles saem e voltam para São Paulo.

No caminho, percebem algo errado: as pessoas na estrada estão paralisadas e aparentemente plastificadas! Não há sinal de catástrofes... E nem de vida humana. O que teria acontecido durante os dias que eles estavam presos na caverna?

Rindu, Mário e Martina se descobrem completamente sós em São Paulo. Tentam fazer conexão com outras pessoas pelo telefone, rádio, tevê... Nada mais funciona. A cidade é um completo deserto decorado com estátuas humanas plastificadas....

Mario e Martina continuam com seu relacionamento amoroso de forma conturbada e Rindu tenta manter-se afastado dos conflitos do casal. Mas, são apenas três pessoas e um mundo de confusões... É claro que a relação entre os três acaba construindo novos conflitos.

Quando se cansam (por um momento) da busca por repostas ao que chamam de “o fenômeno” e da angústia para encontrar outros sobreviventes, o livro faz o leitor se divertir com a ideia de se ter uma cidade, quem sabe um país, um mundo só para você! O que você faria com tudo que herdou de uma civilização inteira?! Rindu, Mario e Martina resolvem pinta e Av. Paulista de vermelho, explodem a antena da Rede Globo, etc...

As perguntas continuam ao longo do livro e te fazem questionar a liberdade, as regras, a amizade, a solidão, o convívio social e a maior questão: o que nos faz continuar a viver.

Escrita em 1986, esta é uma obra atual, com uma linguagem moderna, cenário paulista te aproxima ainda mais desta história que deve ser bem dirigida para se fazer entender por completo. Recomendo!

+ Reflexões: Todo mundo precisa de um blecaute.

O quanto nos aproximamos de Rindu, Mário e Martina na busca por outros sobrevivente e por respostas á nossa própria sobrevivência? Este é um livro que dará respostas diferentes para cada leitor. Eu ainda estou assimilando algumas informações nas entrelinhas desta história... Mas de todas as questões, a que mais me chamou a atenção foi perceber como precisamos de uma sociedade para sobreviver. Não estou falando de regras... Mas a sociedade que nos faz dar sentido ás nossas ações mais cotidianas. O que nos torna humanos não é só o pensamento e a razão, mas a troca de pensamentos que constrói a razão. As relações humanas se provam neste livro uma das maiores razões que temos para viver.


+ Quotes do Livro Blecaute:

"Para se manter a amizade era preciso também uma dose de surdez. Um pacto de complacência."

" O sol não é apenas novo a cada dia, mas sempre novo continuamente."

"Criar é preencher espaços, vazios."

"O universo em expansão. Assim são as coisas."



8 comentários :

  1. Parece ser uma distopia diferente das que eu tenho lido, fiquei curiosa, ainda mais com os quotes. Ótima resenha, até anotei o nome do livro para não esquecer :3
    beijos e que Deus te abençoe o/
    likearocklikearoll.blogspot.com ♡

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  2. Acho que gostaria de ler; além de ser uma distopia, é um livro brasileiro, e é sempre bom lermos títulos nacionais e conhecermos um pouco mais da escrita de todos.

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  3. Oieee!
    Menina curti o enredo do livro, e por ser distopia, me chama muito a atenção... Confesso que não conheço o autor, mas me chamou atenção por ser brasileiro ^^

    beijos
    Ariana Silva
    http://ariabooks.blogspot.com.br/

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  4. Oi, Pétala!
    Poxa, parece muito interessante essa história. Realmente, como seria viver sem uma sociedade? Sem ninguém ditando regras absurdas, mas também sem pessoas com quem se relacionar. Gostei bastante, vou procurar saber mais. Adorei a parte que explodem a antena da Globo, porque se tem uma emissora que eu abomino, é essa! hahahaha
    Ótima resenha!

    Abraços
    Rayssa
    http://diariosdleitura.blogspot.com.br/

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  5. Olá, como vai?
    Admito, ADOREI esta foto que tirou do livro.
    Me deu vontade de comprar este livro, nesta edição *-*
    Adorei as quotes do livro.
    Será uma possível leitura minha hihi
    Abraços ;)

    http://incriativos.blogspot.com.br/2014/03/selvagens-don-winslow.html

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  6. O livro parece ser interessante, e se encaixa no tipo de obra que estou procurando ultimamente.

    Beijos,
    Juan Silva - http://asasliterarias.com/

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  7. Ainda não conhecia o livro, mas pela sua resenha eu quero ler. Me pareceu ser muito bom.

    Blog Prefácio

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  8. Oi Pétala, ainda não conhecia o livro mas a história, pelo o que pude perceber na tua resenha, é bem do estilo que gosto. Com certeza vou anotar o nome aqui e irei revirar os sebos a procura dele. Adorei a premissa do livro, mas não gostaria de ser uma das únicas pessoas na face da Terra não. kkkkkkkk

    Beijos
    www.booksandmovies.com.br/

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