15 fevereiro, 2017

[Resenha] A Sombra do Vento – Carlos Ruiz Zafón

Foto Autoral . Veja mais no Instagram @blogparenteses 

Este é um livro sobre como um livro pode mudar a vida de alguém.

Daniel Sempere acorda numa madrugada de 1945, aos 10 anos, apavorado por não conseguir recordar o rosto da mãe. Seu pai tenta confortá-lo, e então o leva pelas ruas de Barcelona até o coração do centro histórico da cidade. Lá, o menino conhece um prédio antigo com ares de palacete, o lugar onde acabam os livros que se perderam no tempo: o Cemitério dos Livros Esquecidos.

Daniel Sempere desenterra um livro das infinitas estantes daquele labirinto, A Sombra do Vento de Julián Carax. Ele ainda não sabe, embora pressinta, mas ao mergulhar naquelas páginas sua própria história vai se confundir com os dramas e mistérios que o livro carrega.

A história aparentemente simples que se revela em pequenas partes, afunilando e se encaixando é com uma boneca russa, em cada personagem há uma história e dentro da história, mais uma e assim Záfon constrói o enredo complexo: como uma trama de romances e segredos sendo tecida de forma que deixe difícil largar o livro. Tudo que queremos é descobrir onde tudo aquilo vai dar.

O livro me conquistou desde as primeiras páginas, quando descreve e homenageia o encanto dos livros com declarações que acalentam o coração de qualquer leitor.
 Ao longo das páginas os personagens são desenvolvidos com naturalidade e mestria que os torna palpáveis e inesquecíveis. Ao fim do livro você acredita mesmo que toda essa trama seja possível mesmo que paradoxalmente improvável.

Por ser este o meu primeiro livro do Carlos Ruiz Zafón, posso dizer que minha história com este escritor começa como um amor á primeira leitura.

Quero fazer como o protagonista Daniel e sair em busca de tudo o que este Zafón escreveu, espero que seja uma aventura tão emocionante quanto a dele, mas claro, sem toda a tragédia.

Nota:5/5 + favoritado

Informações técnicas:
Autor:  Carlos Ruiz Zafón
399 p. 
Editora:Objetiva/ Selo: Suma de letras

10 fevereiro, 2017

[Resenha] Tudo aquilo que nunca foi dito

Foto Autoral. Veja mais no Instagram @blogparenteses

A história é sobre a Júlia. Uma mulher que com relacionamento conturbado com o pai, o empresário que limita sua vida aos negócios.

Júlia vai se casar e já nem cria expectativas pela presença paterna na cerimônia, quando o que ela previa acontece: Nas vésperas do casamento recebe uma ligação informando que seu pai não poderá comparecer. Antes que ela posso sentir algo sobre isso, vem a noticia: ele não poderá ir porque acaba de falecer! 

Essa ironia mordaz faz Júlia adiar o casamento que seria no dia do enterro, o que faz com que tudo acentue o desacordo que sempre dificultou a relação entre pai e filha.

No dia seguinte ela recebe uma encomenda, surpresa póstuma do pai dentro de um caixote gigante. Essa tal surpresa é tão maluca que vai mudar o rumo da história e claro, da vida de Júlia. Eu achei o máximo o tom fantasioso que a tal surpresa insere a trama.

Mas enfim, a surpresa, dará à Julia a possibilidade de encarar a relação com o pai de uma forma diferente, uma ponte entre eles que mostrará que tudo não é sempre como julgamos, e que a mágoa encobre as coisas boas que deveriam ser lembradas.

A narrativa pode parecer bem dramática, mas é repleta de tiradas cômicas. Muitas delas ficam por conta do melhor amigo da Júlia, o Stanley, tbm conhecido como melhor personagem do livro.
A surpresa que Júlia recebeu ainda a convencerá a fazer uma viagem que vai ajudá-la rever sua história a desenterrar uma pessoa que, achava ela, tinha ficado em seu passado.

No fim ainda tem um plot twist que te deixa com cara de “o quê?!” É excelente!

Este livro permeia várias questões sobre relacionamentos, de pai e filha, de amizades, de relacionamentos amorosos... Mas a talvez a mensagem mais forte seja a do título:
Se você tivesse a chance de encarar relacionamentos perdidos e falar tudo aquilo que não foi dito, você iria perder tempos com amarguras ou ia fazer valer a importância daquilo que te faz bem?

Ignore a capa feia e vá fundo nesse romance francês comovente que prova que Marc Levy é mesmo um grande contador de histórias.


Nota: 5/5

Informações técnicas:
Autor: Marc Levy
241 p. 
Editora:Objetiva/ Selo: Suma de letras

07 fevereiro, 2017

[Dica de leitura ] O Príncipe da Névoa

Foto Autoral - Veja mais no Instagram @blogparenteses
Este é o primeiro romance do Zafón, e terminei a leitura com um pensamento: Poxa! Se começou assim , os seus outros livros devem ser maravilhosos!

A escrita do Zafón é tão envolvente quanto a trama desse livro. Ele sabe o que estava fazendo. Ouso pensar que uma aventura totalmente envolta em suspense protagonizada por crianças não estaria em melhores mãos do que nas deste autor.

Se você gosta de fantasia e mistérios acho que dificilmente não cairá de amores por Carlos Ruiz Zafón. Com cenários muito bem criados e diálogos bem construídos a narrativa ainda que não seja linear nos prende e nos faz acreditar em cada frase escrita. Nos sentimos facilmente entrando na história. O difícil é sair, largar o livro.

Não há muito o que contar da historia pois é um suspense onde cada ponto da narrativa é uma descoberta. Meu conselho é pegar para ler sem saber muuito, sem querer sair na frente do autor: Trilhe o caminho que irá te propor!

O Príncipe da Névoa é o livro que me convenceu de que tenho que ler todas as obras do autor.

Nota:5/5



31 janeiro, 2017

《Sci-fi entre Parênteses》7 Partículas literárias da Ficção científica

Foto autoral. Veja mais em @blogparenteses 

1. Os termos difundidos no Brasil para se referir ao gênero são: Ficção Científica, abreviado para FC e Science Fiction, abreviados para Sci-fi ou SF.

2. Livros Sci-Fi são facilmente identificados por sua própria maneira de falar sobre ciência. O gênero “brinca” com as implicações e consequências de dados científicos ou inovações tecnológicas, reais ou supostas. O “e se...” é levado muito a serio aqui!

3. Chegam a ser um tanto didáticos, mas não no sentido de explicar o que é a ciência ou ensinar amplamente conceitos científicos, embora isso possa ocorrer ocasionalmente. Mas amados companheiros de humanas: Não entrem em pânico! * O que os autores querem é difundir ideias, e não há nada que te impeça de se conectar com o enredo ou de se envolver com as discussões e questões apresentadas.

4. Engana-se quem acha que ao falar de ciência, o Sci-fi se restringe ás chamadas ciências “duras” (astronomia, física, engenharia, etc.). Você pode encontrar muitas obras que exploram as ciências "leves" focando suas teorias nas relações humanas e nas ciências sociais com temas que nos aproximam da psicologia, da antropologia e da sociologia por exemplo.

5. Frankenstein de Mary Shelley é a obra considerada fundadora do gênero que surgiu no Século XIX. Outras obras importantes para o surgimento do sci-fi são os romances de Júlio Verne e H.G. Wells, Utopia de Thomas More, e até contos de Edgar Allan Poe.

6. Sci-fi não é subgênero de Fantasia. (Gente, até uns dias atrás eu apostaria alto que era) Sci-fi é um gênero que possui suas vertentes e subgêneros e que ás vezes conversa com a fantasia na chamada Fantasia Científica (narrativa que mistura explicações racionais e místicas, ou seja, ciência e magia). Selecionamos livros de subgêneros variados pra ler e apresentar nos próximos posts.

7. Esse é um gênero que tem forte apelo com qualquer um que já se fez as perguntas mais persistentes nas obras sci-fi: De onde viemos? Pra onde vamos? Até onde somos capazes de chegar? E a minha preferida: O que nos torna humanos?

#ScifiEntreParenteses


08 janeiro, 2017

[Dica de Leitura] VIVIENNE WESTWOOD - A biografia

“Na busca por ideias, você começará a pensar, e isso mudará sua vida. E se você muda sua vida, mudo o mundo.” V.W.
Foto autoral Instagram @blogparententes

 
O autor Ian Kelly nos faz olhar para o mundo da moda a partir de suas percepções sobre a obra e a vida íntima da estilista Vivienne Westwood.

É delicioso ver o lado B da vida desta mulher que vai para o trabalho de bicicleta aos 73 anos de idade, um ícone cultural que sempre buscou desafiar a lógica convencional.

É também divertido acompanhar isso com o Ian e ver como ele se deslumbra nas suas primeiras percepções sobre um mundo que lhe é estranho. As descrições dele sob o mundo da moda carregam a suspeita original da maioria. Mas tudo bem, a ideia não é fazer entender a moda, é se fazer conhecer a cabeça de uma das mentes mais interessantes da cultura contemporânea: a da Vivienne Westwood.

Foi nisso que me ganhou, nos muitos dos relatos da vida de estilista e precursora do estilo punk que são feitos pela própria Viviane como coautora deste livro. As memórias de uma mulher de 73 anos ativamente inserida no mundo, é o que enriquece, e muito, esta obra biográfica.

Como não se deliciar com histórias da estilista que o transformou o alfinete em um símbolo político? Que abriu a primeira marca com roupas em couro, cheias de zíperes e calças rasgadas? “O punk tem a ver com uma estética, mas ás vezes acho que a única coisa boa que saiu dele foi a ideia de ‘Não confie no governo’ e que nesse meio-tempo tinha um visual incrível!”

Ao longo do livro vemos como seu espírito punk foi se transformando em ativista e como seu engajamento político tornou-se sua outra marca. Não disse que ela desafia a lógica convencional? Pois, bem, no livro ela exibe seu manifesto contra o consumismo intitulado: “Acabem com o capitalismo”.

A biografia revela ainda uma leitora muito assídua que afirma por diversas vezes seu amor aos livros em frases como: “Tudo gira em torno de livros na verdade.” “Minha continuidade é no que penso e no que leio”.

Comecei com um quote e vou finalizar com outro dos meus preferidos: “Há que se buscar a beleza. Em tudo. Todo o tempo. Em todo mundo.” V.W.


Nota: 5/5 

Informações técnicas:
Autor: Vivienne Westwood E Ian Kelly
Tradução: Helena Carone E Maryanne Linz
496 pp. 
Editora: Rocco / Selo: Anfiteatro

02 dezembro, 2016

[ IMPRESSÕES de LEITURAS] Realidade e Fantasia

O livro “A história sem fim” brinca com a ideia de haver um mundo real e um de fantasia. Brinca com esse pensamento de que existe uma realidade de fato real, em oposição ao universo da ficção.
Foto Autoral - Instagram @blogparenteses

A questão é que na literatura esses dois pólos estão sempre atraindo um ao outro. O que percebo alternado minhas leituras em livros de fantasia e romances contemporâneos, é que fantasia pode dialogar com realidade e a realidade pode dialogar com a fantasia.

A fantasia, geralmente, fala de forma representacional, não perdendo totalmente a ligação com a realidade. Isso porque ao imaginar a fantasia o autor, mesmo não se prendendo á ordem e sistemas reais, os usa como base e se arrisca nas possibilidades apresentadas por eles. Ele olha para o mundo, mas deixa ser levado pelo: e se?

Na alta fantasia, onde a realidade parece muito distante, o que o autor entra por completo no mundo do imaginário humano (a realidade psíquica). Por isso dizem que a alta fantasia está no nível da onipotência da imaginação, algo típico e muito mais fácil de ser aceito na mente de uma criança. Daí vemos a razão do distanciamento dos adultos (em sua maioria) do gênero fantástico.

Quando paramos pra refletir sobre as histórias, podemos diminuir esse distanciamento dos gêneros. Onde há fantasia, onde há realidade? No menino bruxo que luta contra o líder opressor e cheio de preconceitos ou no menino que sai de carro pelo país com seus amigos pra encontrar a garota enigmática desaparecida.

O certo mesmo é que somos agraciados com a possibilidade de entrarmos em fantasias criadas por mentes imaginativas e, seja ela distante ou próxima da nossa realidade, está no campo da imaginação. Cabe ao leitor fazer a ponte pra sua realidade. Em uns livros isso é fácil, o autor já dá todo o caminho, já em outros, é preciso mais sensibilidade para gerir a fantasia absorvendo-a e transformando a sua própria realidade de muitas maneiras.

Concordam que é necessária uma dose de realidade pra fazer uma boa fantasia? Que um bom livro (exceto não ficção) tem sua dose de especulação fantasiosa?


22 novembro, 2016

[Dica de Leitura] Mandela, o africano de todas as cores

Este livro integra o selo “Pequena zahar” e vai nos levar pra dentro da história de luta e ideias de Nelson Mandela.

Foto autoral + no Insta: @blogparenteses


Escrito para crianças e recomendado para jovens e adultos, o texto emocionante do autor francês Alain Serres se amplia em sentido e forma pelas imagens do ilustrador, tbm francês, Zau.  

A narração é construída por uma linha do tempo que se inicia com a infância de Mandela e a partir daí vamos acompanhando os momentos chaves da sua história de vida . E que história!

Toda a vida de Mandela é inspiradora. Mandela criança, Mandela jovem, Mandela adulto, Mandela idoso... Há pessoas que encontram um sentido tão forte na vida que acabam por estender significa á vida de outros. Esse livro mostra como Mandela foi uma dessas pessoas.

O sofrimento do povo negro descrito nessas páginas, deliberadamente cheias de cores, é revoltante e entristecedor. Foram 27 anos de prisão até que Mandela viesse a se tornar o 1º presidente negro daquele país.

A edição tem ainda um material bônus no fim com palavras-chaves, fotos de noticias e mapas para que o leitor compreenda detalhes da trajetória de Mandela.

O que fica dessa leitura é muito do sentimento que movia o personagem central, na sua luta a favor da união dos povos de todas as cores. Este pequeno livrinho é uma grande fonte de inspiração para o respeito. “Respeito pelas populações negras humilhadas durante séculos”. Mas também repeito e igualdade entre todas as pessoas sem distinção de cor.

Nota: 5/5

Informações técnicas:
Autor: Alain Serres 
Editora: Zahar
Selo: Pequena zahar 

[IMPRESSÕES de LEITURAS] Imaginação Branca na literatura

Há leituras que deixam impressões fortes intencionalmente, outras provocam reflexões não intencionais nos fazendo repensar experiências como leitores.

Foto autoral + no Insta: @blogparenteses
Quando li Legend fui apresentada ao Day e nas primeiras págs criei a minha imagem mental dele. Mais pra frente, descobri que ele tinha ascendência mongol. Eu o imaginara branco até ali e tive dificuldade para readequar essa imagem. Por que o imaginei branco antes que a descrição física fosse feita? Aí lembrei que não era a primeira vez que isso acontecia.

Piper Mclean (HdO) e Carter Kane (CdK) tbm me deram trabalho para imaginá-los pq suas etnias não caucasianas não foram especificadas logo de cara.

Isso me deixou envergonhada. Por que normalizei o branco em minha imaginação e tornei as outras etnias exóticas, precisando ser explicitamente descritas? A resposta: falta de representatividade e padronização branca. Caí nesses mecanismos do racismo para tornar o não caucasiano, algo estranho.

Em minhas leituras deste ano, não encontrei um(a) protagonista negro(a), por exemplo. Isso é um problema. Cadê os protagonistas indianos, negros, latinos, árabes, etc? A maioria da população mundial não é branca. Eu mesma não sou.

Outro ponto é que grande parte dos best-sellers viram filmes com elencos inteiramente brancos eliminando a pouca incidência representativa nos livros. Um exemplo disso são os filmes de Harry Potter, com quase 20hs, somente 6min são falados por personagens de cor. A Hermione não teve a etnia especificava nos livros, mas todos nós a imaginamos branca. E sabemos o que aconteceu quando uma atriz negra pegou seu papel no teatro.

Já Katniss (THG), pela descrição nos livros, aparenta ser descendente de nativos americanos. Mas não houve incomodo em assistir uma atriz que não correspondia a isso. Talvez pq, mais uma vez, facilmente conseguimos imaginar a personagem como branca.

A partir de agora vou exercitar não embranquecer minha imaginação e torcer pra encontrar nas minhas leituras maior representatividade, me ajudando a ver o mundo como ele de fato é: multiétnico.



01 novembro, 2016

[IMPRESSÕES de LEITURAS] Empatia de leitor

Foto Autoral @blogparenteses Instagram Literário


As IMPRESSÕES desse post foram as deixadas nas leituras de “Passarinha” “O lado bom da vida” e nos livros “O projeto e o efeito Rosie”

Esses são livros onde personagens vivenciam em algum ponto da história o poder da EMPATIA e me deram a chance de exercitar junto com eles essa capacidade de compreender as emoções de outra pessoa e de olhar o mundo a partir de sua perspectiva.

Pra nós, leitores, a EMPATIA é algo que faz parte do nosso cotidiano. Geralmente, exercitamos nossa perspectiva empática em quase todas as leituras quando nos transportamos para mentes de personagens cuja realidade e forma de pensar estão beemm distantes das nossas.

Temos a oportunidade de exercitar a empatia livro após livro, embora muitas vezes não tenhamos consciência disso.

Quantas vezes você já não se pegou fazendo um esforço consciente para colocar-se no lugar do personagem – inclusive dos que te incomodavam – reconhecendo sua humanidade, individualidade e perspectivas?

E qual foi a consequência disso? Você ampliou seus limites de entendimento humano. É por isso que pensando cá com meus botões, chego a conclusão que talvez nós leitores, temos maior tendência a sermos pessoas mais tolerantes.

Isso claro, se fugirmos das classificações simplistas que nos levam facilmente á apenas ver as pessoas/ personagens como chatas ou legais, e etc.

A empatia que exercitamos nas leituras é um meio eficaz que temos de expandir as fronteiras da nossa visão sobre os outros e sobre o mundo.

Os livros que nos dão essa possibilidade de experimentar pensamentos e sentimentos que só podem ser encontrados fora de nós mesmo através da empatia.



Veja + Leia o veredito dos livros citados e mais em https://www.instagram.com/blogparenteses/


22 março, 2016

[Pensando Moda ] FATORES SOCIAIS PENSADOS NO PROJETO DE VISUAL MERCHANDISING

           

Trabalhando elementos como cor, iluminação, e layout de uma loja, projetos de VM podem ter efeitos mais imediatos sobre tomadas de decisão do consumidor do que outros insumos de marketing que não estão presentes em um ponto de venda ou estabelecimento comercial. Visual Merchandising, consiste então em uma estratégia de marketing e engloba um conjunto de outras estratégias aplicadas no ambiente físico para ajudar a vender um determinado produto através dos sentidos humanos.

O profissional de VM entende que os consumidores tendem a basear suas decisões de compra não apenas no produto, mas também em fatores ambientais da loja. Seu projeto baseia-se na premissa de que a experiência de compra é fator determinante para a fidelidade do cliente.

Dentre as estratégias aplicadas num projeto de VM, encontramos o  uso da psicologia do consumidor. Sabemos que o VM pode contribuir muito para a experiência de consumo positiva, por isso, estratégias que trabalhem a autoestima do cliente são propícias para o projeto de VM.  O entendimento desta característica é extremamente importante para a criação de uma relação de confiança com o consumidor. Uma empresa que, por exemplo, tenha o habito de ao não lacrar as bolsas dos consumidores mostra sua sensibilidade em relação a questão da Dignidade do Cliente.

Essa compreensão permite uma maior proximidade da empresa com seus consumidores. A importância da autoestima casos com a preocupação das empresas em oferecer um tratamento igual para todos os clientes independentemente de suas condições financeiras. Pensando nisso, percebemos o impacto social que um projeto de VM pode causar num local ou empreendimento comercial.  Numa vitrine onde os preços dos produtos não são revelados, a população de baixa renda é desestimulada a consumir. Da mesma forma se tiver que perguntar ao vendedor o preço de cada peça de roupa já que nessa situação, o consumidor terá menos poder de escolha pois precisará perguntar o valor de cada peça ao vendedor. 

Em outra situação, lojas voltadas ao publico de classe alta o preço não fixado na vitrine ou na peça  não inibe o seu consumo da mesma forma pois o credito é maior por parte desse consumidor e, nesse caso não há inibição relevante do poder de escolha do consumidor.

A forma de organizar esse ambiente focando no produto, valorizando-o cada vez mais deve estar associada também a valorização do próprio cliente. Sendo esta a forma mais ampla de potencializar a experiência de compra.  

Desta forma os estudos e praticas em VM devem possuir caráter interdisciplinar para abranger não somente moda, estética, marketing, cenografia, arquitetura, etc... O caráter social do consumidor cria a necessidade da abordagem da psicologia cognitiva e da psicologia do consumidor e até mesmo do conhecimento do meio social em que o publico está inserido. O consumidor como individuo, entendido de maneira holística para que haja maior integração do consumidor com o ambiente físico do empreendimento.



Por fim, como todo o trabalho do Visual Merchandising se baseia primeiramente no comportamento do consumidor, faz- se necessária a adoção de estratégias de VM que se baseiam na cultura do local. Experiências culturais e fatores geográficos distantes da realidade do local do empreendimento podem acarretar prejuízos de investimentos visto que a generalização não observa as especificidades do comportamento de compra de cada local. 



Bibliografias consultadas: MORGADO, Maurício G.; ETHUR, Susana Z. Varejo para Baixa Renda. Capítulo 8 – Apresentação e Visual da Loja. Porto Alegre: Bookman, 2008. / SACKRIDER, F.; GUIDE, G.; HERVÉ, D. Entre Vitrinas: distribuição e visual merchandising na moda. 1.ed. São Paulo: Editora São Paulo, 2009. / Anotações de aula da disciplina Vitrinismo. EACH/USP. São Paulo, 2015.